O cornerback Jourdan Lewis tem um hobby peculiar para as viagens dos Jacksonville Jaguars: observar os torcedores rivais levantando o dedo do meio para o ônibus da equipe. "Adoro ver os fãs mostrando o dedo para a gente. Isso me deixa com a adrenalina lá em cima", contou o jogador. A brincadeira de Lewis vai ganhar ainda mais repertório nos próximos meses, porque os Jaguars estão prestes a viver uma das sequências mais atípicas da história recente da NFL.
Por causa da reforma de US$ 1,4 bilhão no EverBank Stadium, a franquia da Flórida vai disputar apenas quatro dos próximos 30 jogos de temporada regular em casa, em Jacksonville. O planejamento inclui, inclusive, mandar os jogos de 2027 para o Camping World Stadium, em Orlando, a cerca de duas horas de distância. É um cenário tão incomum quanto imprevisível - do tipo que foge de qualquer roteiro tradicional, como quem aposta tudo em uma única rodada de burning hot esperando o resultado certo. Ainda assim, a equipe decidiu não tratar a situação como desculpa e transformou o desafio em lema interno: "em qualquer lugar, a qualquer hora, contra qualquer um".
Recorde histórico e agenda internacional
Quando a temporada de 2026 terminar, os Jaguars se tornarão o primeiro time da NFL desde os Duluth Eskimos, em 1926, a jogar em 12 ou mais estádios diferentes em uma única temporada. Os Eskimos, do Minnesota, tiveram apenas um jogo em casa naquele ano e passaram por 14 estádios. Os Jaguars vão repetir a proeza em 2026, com sete dos últimos dez jogos da temporada fora de casa.
A rota internacional começa já nesta semana. A equipe embarca para Londres para enfrentar o Philadelphia Eagles no Tottenham Hotspur Stadium e, na sequência, o Houston Texans em Wembley, no dia 18 de outubro. Serão o 15º e o 16º jogos da franquia na capital inglesa desde 2013 - nenhuma outra equipe da liga chegou perto desse número (o Buffalo Bills, segundo colocado nesse quesito, soma oito). O punter Logan Cooke, jogador mais antigo do elenco, deve bater um recorde pessoal ao disputar sua décima partida internacional pela franquia.
Jogadores veteranos e novatos na experiência
Cooke, que chegou à liga em 2018, relembrou que a logística das viagens já foi bem mais desgastante. "Antes ficávamos num hotel no centro, sem muito o que fazer. Hoje em dia, ficamos num resort nos arredores de Londres, jogamos golfe, tomamos um café de manhã andando pelo campo. É bem tranquilo", descreveu. Já o wide receiver Jakobi Meyers, que está na NFL desde 2019, vai viver sua primeira experiência internacional e disse que o foco segue sendo o futebol americano em si, não o destino da partida.
Foco nos resultados, apesar da logística
O técnico Liam Coen foi direto com o elenco durante os treinos de pré-temporada: a realidade da agenda não pode servir de desculpa para maus resultados. "Ninguém vai olhar para o nosso retrospecto e dizer que tivemos que jogar muito fora de casa. A temporada é o que é", afirmou o treinador. O centro Robert Hainsey reforçou que a rotina ajuda a amenizar o impacto psicológico das viagens constantes, já que os jogadores da NFL costumam seguir protocolos bem definidos independentemente do estádio.
Sob o comando de Coen, os Jaguars já vêm mostrando capacidade de se adaptar a jogos fora de casa, vencendo cinco de seus últimos seis compromissos como visitantes. Com viagens à Inglaterra, a Baltimore e a Nova York nas próximas semanas, a equipe terá a chance de provar, na prática, que o lema "em qualquer lugar, a qualquer hora, contra qualquer um" é mais do que um slogan de marketing.